A instabilidade militar em Cabo Delgado, norte de Moçambique, agrava os riscos associados aos investimentos na produção de gás natural na região, disse quarta-feira o banco central de Moçambique.

A situação tem vários efeitos económicos para o país, incluindo o agravamento dos riscos e incertezas associados ao desenvolvimento de projectos de gás natural, afirmou o banco central em documento com resposta a questões colocadas por jornalistas.

“O aumento dos custos de segurança do projeto ou o adiamento das decisões de investimento têm um alto custo socioeconômico para o país”, disse.

Por um lado, estes custos de segurança são recuperáveis, ou seja, são posteriormente deduzidos do imposto que deve reverter para o estado na fase de produção.

Por outro lado, o atraso nos investimentos afeta a viabilidade e o senso de oportunidade dos projetos, em um cenário de descobertas em outras regiões do mundo, o que pode comprometer os ganhos econômicos do país - receitas, dividendos, empregos e outras.

Dos três planos de desenvolvimento, um, liderado pela ExxonMobil e ENI, anunciou este mês o adiamento da decisão final de investimento, mas devido ao impacto da Covid-19.

Os outros efeitos da insegurança em Cabo Delgado são a deterioração do ambiente de negócios e a restrição do funcionamento dos serviços públicos e da circulação de pessoas e bens na região.

O banco central destacou a destruição de infraestrutura, gerando deslocamento e custos crescentes nas áreas de defesa, segurança e assistência humanitária, o que obriga o Estado a desistir de alguns projetos de desenvolvimento para fazer frente às despesas associadas ao conflito.

A província do norte de Moçambique está a ser assolada por ataques de grupos armados classificados como ameaça terrorista, que mataram pelo menos 500 pessoas nos últimos dois anos e meio.

As autoridades moçambicanas afirmam que 162 mil pessoas foram atingidas pela violência armada naquela província.

No final de março, as vilas de Mocímboa da Praia e Quissanga foram invadidas por um grupo, que destruiu várias infra-estruturas e içou a sua bandeira num quartel das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique.

Na ocasião, num vídeo distribuído na Internet, um alegado militante jihadista justificou os ataques de grupos armados no norte de Moçambique para impor a lei islâmica na região.

Esta foi a primeira mensagem emitida pelos responsáveis pelos atentados, ocorridos há dois anos e meio na província de Cabo Delgado, registados numa das aldeias que invadiram.

Fonte: Lusa